Bem vindos ao meu mundo

Fantasma Forrozeiro

Durante um período relativamente curto, meus parentes maternos em Seropédica, naquela época ainda distrito de Itaguaí, moraram em uma casinha no alto de um morro onde se situa a Igreja Nossa Senhora da Conceição, no bairro Jardim Maracanã. Esta mudança de residência, dentro do mesmo bairro, foi adequada para minha avó, pelas atividades que ela tinha frente à pastoral do bairro e pela atuação na Igreja do bairro e região. Então ela passou a residir nesta casa para poder administrar as necessidades da paróquia (como limpeza, organização e quaisquer outras questões necessárias) e do salão de festas ao lado, onde ela organizava, junto com minhas tias, alguns eventos festivos para arrecadar fundos para a igreja.

Este morro, onde fica a casinha e incluindo parte dos terrenos da igreja, descendo em direção à conhecida residência do Sr. Lino e alcançando o pé do morro do outro lado da Estrada do Dique foi um grande cemitério no passado, na época do Império no Brasil ainda até o século XX, mas isso é apenas um “pequeno” detalhe. Pedaços da lápides, alças e partes de madeira de caixão, além de outros artefatos, já foram encontrados por pessoas que conheço e até por crianças que brincavam por ali.

E curiosamente isso não é incomum! Mais tarde, pesquisando mapas antigos, já encontrei muitos cemitérios assinalados onde hoje existem residências e condomínios, e pouquíssimas pessoas sabem disso!

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Neste ângulo frontal, viso da rua principal, da esquerda para a direita: a casa, o salão de festas parcialmente encoberto e a Igreja

Pois bem, voltando, era uma noite comum e um forró estava correndo solto no salão. Estes eventos lotavam, atraíam muitas pessoas, normalmente moradoras da região. Por volta de umas 2h da madrugada reclamei com minha mãe que estava com sono, eu devia ter uns 11 ou 12 anos nesta época, e ela me levou para a casa, que ficava do outro lado do terreno no topo do morro. Pois bem, não arrumou e não me deitei na minha cama: ela disse para me deitar no sofá, pois eles não iriam demorar, o forró estava próximo de acabar.

Deitei e adormeci, mas sempre tive o sono muito leve. Acordei com alguém me chamando… “psssiu… psssiu…” abri os olhos e sentei no sofá da sala, dali eu tinha a visão direta e de frente para o banheiro, que estava com a porta aberta e, ao fundo, o box de banho com uma cortina plástica dividindo o espaço. Pelo som e reverberação eu pude perceber que o chamado vinha de lá, mas não tinha ninguém em casa, não entendi nada e não dei muita atenção, achei que tivesse ouvido aquele chamado em um sonho que eu estava tendo. Foi aí que eu ouvi novamente e vi a direção de onde vinha.

(Curiosamente agora enquanto escrevo este texto pensei em algo que sempre argumentei: por que nos filmes de terror as pessoas vão ver o que está acontecendo quando ouvem algo suspeito? Não seria melhor sair correndo? Agora percebi que fiz o mesmo nesta ocasião kkk)

Me levantei e fui em direção ao banheiro, devagar, devagar… quando cheguei na porta do banheiro e olhei para na direção do box, ouvi a mesma voz, mas mais forte: “Psiu, vem aqui”!

Eu saí correndo para dentro de um dos quartos que tinha a janela de frente para o salão de festas, há mais ou menos uns 30 metros de distância. Pulei direto na janela, que tinha grades, me pendurei ali e gritei a todo pulmão pela minha mãe, na esperança de que ela me ouvisse apesar do som do forró. Felizmente alguém no terreno ouviu e a chamou, que não demorou a vir ficar comigo. Ela não voltou para o forró e ficou comigo até que eu adormecesse novamente, desta vez no quarto, e não ouvimos mais nada naquela noite.

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O salão de festas, a Igreja e a residência onde ocorreu este fato. Na época o acesso era feito pelos dois lados, havia um caminho onde se acessava de carro ou a pé partindo de onde a foto foi tirada, subindo o morro e contornando a casa, passando entre esta e a igreja, descendo pelo outro lado. Não tinha tanta vegetação assim também.

 


Imagem de capa: Google Street View

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