
Mais um capítulo das aventuras de “Daddo e seu amigo”.
Como já dito em outros textos, um amigo na sétima série se tornou a companhia de diversas ocasiões e aventuras durante vários anos. O curioso é que sempre eram coisas bizarras ou arriscadas que ocorriam, verdadeiros perrengues. E este relato não foi diferente.
Após um dia de aulas combinamos de ir à praia, desta vez no Leblon mesmo, próximo de onde eu estava naquela dia (João Lira, casa da família da Carol, mas nem namorávamos ainda neste época). Pois bem, almocei, descansei do almoço e fui pra praia, mais ou menos umas 14h. Dia de semana, praia praticamente vazia, aguardei um pouco e, como meu amigo não chegava (vinha do Jardim Botânico de bicicleta), olhei para o mar, analisei e entrei sozinho. Parecia tudo calmo, então qual seria o problema?
Veio uma primeira onda e eu estava um pouco além do meio do caminho entre ela e a arei, então decidi encarar, corri, nadei e mergulhei para atravessá-la. Era consideravelmente grande, mas uma onda dificilmente vem sozinha, mas em série. Quando abri os olhos do outro lado, percebi uma outra onda se aproximando, mas ainda mais distante. Ainda dava pé, mas eu conseguia pisar no fundo mas com dificuldade, então voltar em direção à areia seria impraticável, ela quebraria em cima de mim. Decidi nadar em direção à onda e a atravessei antes de quebrar sobre mim. E nisso eu fui me distanciando mais ainda da praia…
Quando abri os olhos do outro lado vi uma onda ainda maior se aproximando! Nem parei pra pensar, continuei nadando e consegui atravessá-la. Quando abri os olhos do outro lado, fiquei aterrorizado. A maior de todas na série vinha na minha direção, ainda mais distante. Nadei, nadei, nadei, já cansado, tão cansado que quase não consegui chegar a tempo: a onda quebrou sobre meus calcanhares quando eu a atravessei!
Neste período em que eu estava debaixo d’água até emergir deu tempo de rezar para que não viesse mais ondas, que a série tivesse acabado. E deu certo: abri os olhos e não tinha ondas no horizonte! Contudo, olhei pra areia e estava muuuuuuuito distante. Não tive forças naquele momento para nadar de volta, então fiquei boiando por alguns poucos minutos e depois desse curto descanso comecei a nadar em direção à areia.
Cheguei exausto de volta na praia, ofegante, e me joguei na areia, ao sol, de olhos fechados, para descansar um pouco. Poucos instantes depois senti uma sombra sobre mim, abri os olhos e era meu amigo, que tinha chegado enfim! Me perguntou:
“E aí, cara? Vamos entrar?”
E eu respondi:
“Nãããããoooo”
Imagem de capa: @minduim