Bem vindos ao meu mundo

Atropelamento de bicicleta e quase vítima de furto na Lagoa

Como eu já disse algumas vezes, um amigo que conheci enquanto estudávamos na sétima série da Escola Municipal Georg Pfisterer era um parceiro de muitas aventuras deste período em diante. Parecia até que bastávamos estar juntos para acontecer alguma coisa, seja uma aventura, sufoco ou algo arriscado.

Pois bem, costumávamos sair para andar de bicicleta após as aulas, neste período na parte da manhã, mas prorrogamos este costume por anos após. E naquela época o Rio de Janeiro, mesmo sendo na zona sul onde morávamos (ele no bairro do Jardim Botânico e eu em uma comunidade no Leblon), já era considerado perigoso. Então isso nos motivava a andar sempre muito rápido de bicicleta, o que nos rendia várias vezes uns “puxões de orelha” da Guarda Municipal ou de transeuntes, reclamando que estávamos em alta velocidade.

No entanto, sempre mantivemos o costume de pedalar rápido, mas com segurança, sem cometer loucuras ou imprudências. Apesar desta história que vou contar neste texto.

Em determinada ocasião estávamos quase completando uma volta na Lagoa Rodrigo de Freitas, aproximadamente 7,5km, passando na altura da esquina da Rua Maria Quitéria, em Ipanema, no sentido Leblon (a foto de capa deste artigo mostra mais ou menos onde ocorreu). Era um dia de semana, à tarde, a ciclovia estava bem tranquila e vazia. Mais ou menos uns 100 metros à frente um grupo de rapazes, aparentemente acima de qualquer suspeita (bem vestidos) veio da calçada para a ciclovia. Meu amigo estava com a bicicleta dele na frente e eu atrás, no vácuo, bem velozes. Com a percepção que tivemos do grupo à frente, fomos para a pista lateral à direita, de saibro, junto à margem da Lagoa Rodrigo de Freitas. Mas o grupo foi para o saibro também. E então voltamos para o asfalto da ciclovia, mas o grupo veio também, e não percebemos o risco que estávamos correndo, continuamos na mesma velocidade, o grupo que saísse da nossa frente!

Quando nos aproximamos, muito rápidos, o grupo se abriu para nós seguirmos, mas quando meu amigo estava passando um dos rapazes deste grupo deu um golpe com a perna, girando o corpo, e derrubou meu amigo. Só que o meliante também caiu, e justo onde? Na minha frente! Não tive culpa e o atropelei sem querer, não deu tempo de fazer nada… mas não posso esconder que isso deu uma satisfação depois.

Não reduzi a velocidade e acabei passando por cima da perna do sujeito, só parei uns 50 metros adiante, isso porque meu amigo veio correndo e gritando meu nome. Eu tinha tomado um susto tão grande que acho que só pararia em casa. Quando olhei para trás meu amigo estava vindo, com um dos chinelos arrebentado e a perna ralada, ele caiu agarrado com a bicicleta no saibro, e precisou que os bandidos o arrancassem de junto da bike para levá-la. Aí percebemos de fato que era um furto que estava ocorrendo, mas não do jeito que os bandidos planejaram: olhamos e eles tentaram fugindo pedalando, pelo menos dois deles (eram quatro ou cinco) mas a corrente tinha saído e eles não teriam tempo para colocar novamente. Um dos jovens estava mancando muito, por qual motivo kkkkk? E aí nós, com o sangue quente, começamos a correr atrás deles para recuperar a bike. Mas, infelizmente, eles conseguiram fugir perigosamente no meio do tráfego rápido da Avenida Epitácio Pessoa, a via de trânsito rápido que margeia a parte leste da Lagoa.

Nos conformamos com o ocorrido e fomos embora, meu amigo arrasado dizendo que o pai iria brigar muito com ele, acho que a bicicleta era do pai ou foi dada por ele, não me lembro ao certo, e precisávamos ir caminhando até a casa dele ainda, pelo menos mais uns 5km de distância. Mas… quando estávamos juntos poderia acontecer o que acontecesse mas no final dava tudo certo, era impressionante: quando estávamos passando pelo Clube/Ilha dos Caiçaras, um rapaz veio correndo atrás de nós e nos perguntou se havíamos sido vítimas de um furto. Confirmamos e o rapaz nos disse que a polícia havia recuperado uma bicicleta e detido dois bandidos! Não sei porque não fizemos isso antes, mas meu amigo sentou no quadro e eu o fui levando até o local.

Chegando lá, em uma cabine policial (que não existe mais atualmente) na Rua Almirante Saddock de Sá , vimos a bike parada junto à cabine e, dentro dela, dois rapazes. Meu amigo já chegou dando um monte de cascudos na cabeça de um deles, e o policial o repreendeu (Minha nossa kkkk). Aí nos foi explicado o ocorrido: um segurança de um dos prédios nos arredores notou a atitude suspeita dos bandidos e os chamou, mas esta atitude os assustou e então o segurança deu um tiro para cima. Dois rapazes pararam com o susto e os demais correram, então o segurança e a polícia detiveram os que ficaram.

Para nossa surpresa eram todos moradores das ruas próximas, todos de família de classe média alta. Uma prova que índole não faz distinção de riqueza ou pobreza.

Mais um final feliz, de uma aventura de Daddo e seu amigo.


Imagem de capa: Mobilize Brasil

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